segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dia de arrumar algumas coisas


Domingo é dia de refexões. Pouco depois de acordar e ouvi a história de um amigo que bebeu de mais no sábado a noite e vomitou na balada. Ele se culpava e estava visivelmente envergonhado. Coisas de domingo.
Comecei a arrumar meu quarto e decidi sair pra comprar um tapete e algumas almofadas. Há algum tempo eu queria criar um espaço no meu quarto onde eu pudesse trabalhar, tocar, ouvir um som ou ler. Fui ao Shopping Santa Cruz ver o que eu encontrava para o meu novo recinto.
No caminho passei por um homem sentado na calçada que me pediu dinheiro. Ele tinha os pés descalços e sentava em um papelão. Disse a ele que não tinha. Continuei.
Já no o Shopping, comprei um tapete e três almofadas. Tudo muito próximo do que pensei para montar um sofá no chão.
Voltei pelo mesmo caminho e o homem estava lá ainda, no mesmo lugar. Ainda com os pés descalços e pedindo dinheiro. Eu novamente disse que não tinha.
Senti vergonha de passar ali.
Rezei para que ele não lembrasse de mim. Rezei para que não lembrasse da minha cara. Não lembrasse que antes de comprar um tapete e três almofadas eu tinha passado ali, dizendo que não tinha dinheiro.
O tapete começou a pesar uma tonelada nos meus ombros.
Aquele homem, como tantos outros por quem eu e você passamos todos os dias não precisava só de dinheiro. Ele precisava de atenção, de carinho, de oportunidade e de tantas outras coisas, que como o dinheiro, eu tinha e não dei. Fui pra casa pensando nisso.
Arrumei meu quarto, coloquei o tapete, as almofadas, trouxe meus instrumentos pra perto, e estava pronto o novo canto da casa. Um lugar onde eu podia, como tantos outros moradores de rua, me sentar no chão e tocar violão.
Fiquei pensando nisso. Pensando no que é que eu, você, e tantas outras pessoas estão fazendo pra ajudar o próximo. Ajudar um desconhecido. Ajudar quem pouco ou nada tem. Seja de dinheiro, de atenção ou de carinho.
Nesse domingo eu refleti. E me senti a pior pessoa do mundo.

Um comentário: