sexta-feira, 18 de junho de 2010

Homenagem a um passarinho

Se eu fosse um pássaro talvez não pudesse tocar violão. Mas talvez pudesse voar até a janela de um grande violonista pra ouvi-lo tocar. Talvez me pudesse ouvir tocar, e chamar os outros passarinhos pra saber a opinião deles. E com meu canto eu imitaria um violão, o meu ou de qualquer outro que eu pudesse ouvir.
Acho que eu seria um pássaro namorador, e teria várias casas na arvore. Ia querer morar numa acácia. Gosto de amarelo. Gosto de acácias também.
Ia ter um amigo bem te vi e tentar ensiná-lo a cantar como um violão. Ia ter um amigo João de barro pra visitar a sua casa de vez em quando. Conheceria um papagaio e quem sabe eu ate conseguisse lhe ensinar uma música inteira?  Mas acho que o meu melhor amigo seria um beija flor. Eu ia querer aprender tudo: como parar no ar, ou saber que flor se come no frio. Ia querer saber se eles gostam daquela água com açúcar que a gente põe na janela, ou se eles bebem só pra agradar, ou pra se mostrar. Ia perguntar tudo.
Uma coisa não ia mudar: meu medo de gatos. Quem sabe como um pássaro eu conseguisse entender como os gatos pensam. Mas manteria distância.
Não morreria sem tentar ensinar uma galinha a voar, ou uma pomba a ser legal.
Deve ser legal ser um pássaro, embora eu não queira ser um urubu, muito menos um gavião. Mas pode ser que hajam resquícios de humanidade nessa minha falta de vontade. Talvez por isso eu topasse ser um quero quero, e assistir os jogos do palmeiras sempre do gramado. No intervalo eu comia umas minhocas. Tem pássaro que gosta de assistir paradinho na rede do gol. Eu acho um perigo, mas gosto é como crista: tem pássaro que não tem.