terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Enfim, publicitária


Um ciclo nunca se fecha sem que haja um momento de reflexão.
É um ritual comum. Você planeja, faz as coisas acontecerem mais ou menos dentro do que foi pensado, e no final, avalia.  Não é um simples momento de julgar. É a hora também de planejar de novo. Começar de novo.
Tinha terminado um namoro de 2 anos, na mesma semana em que terminava a monografia. Sua chefe tinha saído de ferias e deixado de presente a maior campanha publicitária do ano pra ela criar.
Todos na agência sabiam que ela ainda não estava pronta para um desafio tão grande, mas não havia como ser diferente. Tinha que ser ela.
Em duas semanas não viu os dias passarem. Entregou a monografia, engoliu os sentimentos e fez da campanha um sucesso de vendas.
O relatório chegara às suas mãos na tarde de uma terça feira, com um parabéns escrito em letras garrafais. A campanha tinha sido, de fato, um acontecimento. Ela tinha superado as expectativas de todos. Inclusive as dela.
Terminou de ler o relatório, pegou uma caneta, um bloco de papel e começou a escrever. Agradeceu os professores, os colegas de faculdade, o ex namorado, o chefe e todos mais que pode lembrar. Pediu desculpas aos que foram esquecidos, mas também agradeceu a eles.
Terminou o texto com uma rapidez que nem mesmo ela soube explicar. Estavam ali relatados momentos preciosos da sua vida. Sem saber bem porque rasgou o texto e deixou uma primeira lágrima escorrer pelo rosto.
Saiu da criação e correu da maneira mais discreta que conseguiu até o banheiro. Nenhum colega de departamento percebeu sua pressa. Ela não queria que isso acontecesse.
Sentou-se no chão do banheiro e por 10 minutos chorou.
Chorou sem saber porque.
Chorou porque queria chorar.
As lágrimas fechavam o ciclo. Um ciclo que ela viu passar com uma velocidade incompatível ao tempo real de tudo o que aconteceu.
Levantou-se, lavou o rosto, voltou pra mesa de trabalho e começou a rascunhar sua próxima campanha.