quarta-feira, 11 de maio de 2011

Desengracei.

Você descobriu como me deixar sem graça. Me lembro como ontem. Tomávamos sorvete na Alaska do Boa Esperança. Eu, você, sua irmã e a Pamela.
Passaram uma hora me elogiando. E eu, como é meu costume, fiquei sem graça. Vocês achavam engraçado. Eu, o mais engraçado, virava um pamonha, sem graça. Dali em diante ruborizei muitas vezes. Quando eu aparecia de barba feita, choviam elogios. Quando eu ligava para fazer uma visita, também. Quando eu fazia um elogio era, definitivamente, o melhor homem do mundo. Título complicado de carregar. Outras observações suas eu prefiro não contar, mas ouvi. Ouvi e ouviram pessoas que não deveriam ouvir. Nessas vezes elas ficaram sem graça por mim. Desviaram seus olhares, e mudaram os seus assuntos. Eu fiquei ali, sem graça, com um falar amarelo, rezando para que você parasse de me elogiar em voz alta.


Hoje você acabou com a minha graça. E não tem gracejo nesse mundo que me faça ficar sem jeito de novo. Hoje eu sou um desgraçado. De hoje em diante pode levar seus elogios para os príncipes encantados que você conheceu mundo a fora. Eles, sim, merecem a sua verdade. Eu sou apenas um mentiroso, que talvez não ouça nenhum elogio seu no nosso próximo encontro. Nem precisa, a minha graça com você acabou.

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