Entre futebol, astronomia, vida dos outros, e gastronomia, eles conversavam também sobre eles. O namoro que tiveram, as pessoas com quem mantiveram contato depois que o namoro acabou, os namoros que vieram depois. Tudo era assunto para aqueles dois. Suas afinidades superavam em muito as suas diferenças.
Ela tinha rodado o mundo. Foi pra Índia, pra Alemanha, lençóis maranhenses, Cuba, Florianópolis e um monte de outros lugares. Passou um carnaval maluco, em Diamantina, mesmo sem ter mais idade pra isso.
Ele mudou pro Rio de Janeiro, fez especialização no Uruguai, mestrado no México, e trabalhou na Argentina e no Peru. Conhecia um pouco da história e da cultura de cada lugar que viveu.
Naquele exato momento ele explicava a ela que a típica cerveja com limão mexicana tinha sido inventada apenas para espantar as moscas de perto da boca da garrafa. Ela agora tinha um olhar muito mais interessado na sua long neck.
Ela era publicitária, e trabalhava em uma agência de São Paulo. Ele era engenheiro, e tinha uma empresa consultoria de edificações.
Gostavam de se encontrar, mesmo que por acaso. Dessa vez tinham combinado um encontro com uma turma de amigos em comum. Conversavam à beira da piscina. Vira e mexe alguém entrava e saía da conversa. Não era segredo pra ninguém que os dois gostavam de se encontrar e conversar sem embaraço. Não eram um casal, mas algum desavisado poderia jurar que sim.
Ele era muito educado. O copo dela não ficava vazio.
Ela era legal. Nunca deixava ele buscar a cerveja sozinho.
Enquanto ele dava aula no futebol com os amigos, ela ouvia das amigas brincadeiras sobre o fôlego do rapaz.
Ele foi embora de bicicleta.
Ela foi de carro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário