Centro de Cuiabá. Carros, motos, ônibus e pessoas num fluxo incessante. Ali perto, numa escola, começa a se formar uma pequena fila de carros, que em pouco tempo se tornará uma enorme fila de carros. São pais e mães que já aguardam o término do período matutino de aulas de seus filhos e os esperam para voltar pra casa.
Num desses carros, está Amilcar, médico, ortopedista, casado ha quatro anos e sem filhos, lendo silenciosamente. Quem ele espera ali? Ninguém.
Dr. Amilcar sai do pronto socorro as 11:45 da manhã. Meia hora antes do final das aulas. Ao invés de ir pra casa, desenvolveu um hábito diferente. Vai com seu carro até a frente de um colégio próximo do seu trabalho e ali estaciona. Quem passa por ali e vê aquele senhor de branco lendo dentro do carro rapidamente pensa que ele está ali esperando seus filhos. Não! Ele estaciona ali pra ler. E lê qualquer coisa: Quadrinhos, livros de medicina, ficção, panfletos ou um jornal.
Estava lendo quadrinhos àquela hora, quando percebeu que a fila de carros começava a aumentar. Ele já sabia. As aulas estavam acabando. Em poucos minutos o sinal do colégio tocaria, e as crianças sairiam correndo congestionando ainda mais o trânsito.
Ligou o carro e foi embora, como todos os dias.
Ele detesta filas.
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